terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Caminhando - Parte I

Tenho feito neste verão – sempre que São Pedro deixa – caminhadas no fim do dia no campus da universidade. E tenho observado uns tipos bem engraçados por lá...

O workaholic, que não se desconecta nem quando está de short e regata. O sujeito corre e fala ao celular: o aparelho fica suado como o dono e a conversa sai toda truncada, conforme o telefone sobe e desce nas passadas e o fôlego permite ou não o diálogo:
- Compra tudo, porque... Arf... barato. E vê se encomenda... Arf arf... porque esse lote... Arf... Financiado não dá porque... Arf arf arf...

O casal apaixonado, que não se desgruda: anda o tempo todo de mãos dadas, ainda que o passo dele seja duas vezes mais rápido que o dela. Geralmente estão mais passeando que fazendo caminhada, porque é impossível andar em ritmo acelerado e sincronizar mãozinhas. Sempre que vejo um desses, me pergunto onde termina a paixão e onde começa a posse. Nunca sei.

O dono de cachorro, que quer aproveitar a caminhada para fazer o bicho se exercitar também. Morro de pena dos cães menores, como poodles, que precisam acompanhar o passo de quem está correndo. O animalzinho quase enfarta depois de duas voltas. Pior são os cães que deixam “presentinhos” no caminho para você pisar, feito minas terrestres malcheirosas, que explodem em sujeira sob seu pé quando você dá uma passada mais apressada e desatenta.

A pistoleira-periguete, que está sempre maquiada e com o cabelo chapeado preso na buchinha. Usa calça estampada de oncinha, muito justa, com meia grossa por cima da legging cobrindo toda a canela; o top sempre tem um decote provocante. O tipo não possui idade certa: varia dos 20 aos 50 anos e não tem como objetivo se exercitar, mas observar os sarados (sejam eles coroas ou não) e tentar seduzir algum deles com um flerte atlético. Seu negócio não é malhação, é pegação.

(Continua...)

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Escrito com ajuda especialíssima de Rainha de Copas

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Diga não

A União tem esses sachês de açúcar com mensagens edificantes. Achei criativo: você adoça o café e pensa na vida. Hoje fui sorteada com esse aqui:


Juro que, inicialmente, eu li: Diga mais não. Depois que associei a imagem da mocinha comendo o bolo de chocolate com o texto que vi que era “menos não”.

Eu não concordo com a embalagem. Eu proponho dizer “mais não” como uma das formas de se alcançar a felicidade.

Dizer não para aquele seu parente cara-de-pau quando ele te pedir mais um favor absurdo, sem nunca te oferecer sequer o reconhecimento pela ajuda.

Dizer não para aquela happy hour com colegas venenosos do trabalho, que certamente se transformaria em uma sad hour depois de meia dúzia de cervejas, e ir para casa assistir aquele programa legal na TV a cabo que você tanto gosta.

Dizer não para o sexo, ainda que seu corpo arda de desejo, quando o que seu coração mais quer naquele momento sejam apenas aconchego e carinho.

Dizer não para aquele almoço em família onde você vai ouvir piadas machistas e homofóbicas dos seus parentes e sair de lá com a comida e a indignação engasgadas.

Dizer não para drinques & balada com amigos naquele sábado em que o seu corpo pede chá & edredom no aconchego de sua casa.

Dizer não para as demandas daquele seu amigo vampiro emocional, que te suga as energias, o ânimo, o dinheiro, a presença e tudo o mais que ele encontra pela frente, e jamais devolve o que levou.

Dizer não quando sua namorada te obriga a ir novamente àquele restaurante moderno e caro, com comida esquisita que você odeia, quando sua vontade é apenas devorar um cachorro-quente com muito molho na barraquinha da esquina.

Dizer não para a Vendedora quando ela insiste que aquela blusa está “ótima” em você, quando o espelho e o seu bom senso mostram justamente o contrário.

Dizer não, mesmo que ainda gostando dela, para aquela ex mau caráter que te procura cheia de arrependimentos depois de ter partido o seu coração, prometendo que tudo dessa vez será diferente.


E vocês, para o que andam precisando dizer não?

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Aposta de Ano Novo


Se você tivesse apostado, no primeiro dia deste ano, que saberia tudo que aconteceria nesses 12 meses e como estaria sua vida neste final de dezembro, certamente teria perdido. Por mais promessas de Ano Novo que você tenha feito e, efetivamente, cumprido, houve muito mais de inesperado em sua vida que você poderia ter considerado no dia da aposta. Foram 365 dias repletos de 24h de oportunidades surgindo em seu caminho. Cada decisão tomada frente a cada uma destas oportunidades alterou um pouco o seu destino e fez com que aquela aposta ficasse cada vez mais difícil de ser vencida...

Não adianta tentar trapacear na aposta e procurar uma Vidente para que ela leia sua mão, a bola de cristal, os búzios ou as cartas e te dê essa resposta. Se nem você, que (espera-se!) se conhece tão bem, foi capaz de adivinhar o que se passou, que dirá uma estranha olhando para uma bola transparente ou jogando cartões de papel colorido na mesa. Esses objetos jamais darão conta de sua vida com toda a complexidade que ela possui.

Só você é capaz de saber se a dedicação ao seu trabalho foi suficiente este ano ou se você não chegou nem perto de cumprir as metas a que havia se proposto. Se você procurou aprender coisas diferentes ou ficou esperando um aumento sem merecê-lo. Se você se mostrou ser capaz de assumir novas responsabilidades ou ficou se queixando da empresa, do chefe, do país. Se você surpreendeu a sua equipe por fazer o inesperado ou se caiu na mesmice de sempre, batendo ponto todas as manhãs e tardes só para garantir o salário no fim do mês. Isso não pode ser lido nas linhas da sua mão...

Só você é capaz de saber se deu a atenção que a sua família necessitava ou se os abandonou quando mais precisavam de seu apoio. Se conseguiu passar por cima das desavenças naturais que surgem entre você e essas pessoas que você não escolheu estarem em sua vida ou deixou que essas diferenças o impedissem de cumprir o seu papel determinado pelos laços de sangue – que estarão sempre lá, enquanto ele circular na veia de todos. Neste ano, alguns parentes nasceram, outros morreram, com outros você perdeu o contato (ou retomou, quem sabe?), mas você teve novamente a certeza que, se precisar, esse laço será forte o bastante para uni-los quando necessário. Isso não pode ser lido na bola de cristal...

Só você é capaz de saber quantos amigos você permitiu que entrassem em sua vida ou quantos decidiu deixar para trás, por não contribuírem mais com seu crescimento. De calcular a quantos fez companhia nas celebrações ou de quais cuidou nas decepções trazidas pela vida. De ver quais foram capazes de te decepcionar de uma forma que você não foi capaz de acreditar, enquanto outros te demonstraram que são seus anjos aqui na Terra, com a função de te amparar e não te deixar vacilar perante a vida. Isso não pode ser lido nos búzios...

Só você é capaz de avaliar se entregou todo o seu amor a quem merecia recebê-lo ou negou carinho àquela pessoa que esperava tanto por ele. Se foi capaz de oferecer liberdade e independência em nome de um relacionamento saudável ou se sufocou o parceiro com ciúmes absurdos e proibições sem sentido. Se adoçou a relação com palavras ternas e atos gentis ou a tornou amarga com críticas duras e cobranças injustas. Se demonstrou, com palavras e atitudes, que aquela pessoa era especial para você e merecia fazer parte da sua vida ou teve receio de arriscar e ficou apenas esperando que o outro tivesse esta iniciativa. Isso não pode ser lido nas cartas de tarô...

As previsões não funcionam simplesmente porque elas não dão conta de antecipar todas as escolhas que você é capaz de fazer em 365 dias. E as superstições são falhas porque não é a cor da calcinha que você usa na virada, nem as sementes de romã que você guarda na carteira, muito menos os sete pulos nas ondas que você dá, que determinam o sucesso do seu ano. É o tempo que você passa estudando e aprendendo coisas novas, é a dedicação que você deposita em seu trabalho; é o suporte que você proporciona à sua família quando ela precisa de você; é a atenção que você dá aos seus amigos e a presença que você lhes oferece no dia-a-dia; é o amor que você cultiva e demonstra pela pessoa que você escolheu ter ao seu lado em um relacionamento. São tarefas em tempo integral - o ano todo, não apenas promessas de réveillon. O sucesso de 2011 está em suas mãos. Quer apostar?

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Na net, todas as gatas são pardas

Garota Interrompida diz:
Pior eu agora, fui pro Terra, encontrei uma “feminina de [cidade de Garota]”.
34.
Escrevendo tudo certinho.

Alice diz:
Isso apaixona, né?

Garota Interrompida diz:
Simmmmm!
Até que....
"Amigaaaaa, sou eu!"
Era uma amiga minha!
PQP!

Alice diz:
Huaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa

Garota Interrompida diz:
hauhauhauahauhauhaauhauhauhauahah
Imagina a nossa cara de kuh além de rir!

Alice diz:
HAHAHAHAAHAH
Eu imagino!

Garota Interrompida diz:
Agora estou falando com uma de 26, [cidade próxima]...

Alice diz:
Idade boa.
Escreve direitinho também?

Garota Interrompida diz:
Por enquanto, tudo certinho.
POR ENQUANTO!
Nunca se sabe quando vai sair um “seje”.

Alice diz:
Huaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa

Garota Interrompida diz:
Esses dias uma conseguiu escrever FASER e SEJE!
Doeu a alma demais!
huahauhauhauhaauhauhauahauhauh

Alice diz:
HAHAHAHAHAAHAHA

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Aventuras de compras de Natal

Por confusões de família, fui obrigada a comprar meus presentes de Natal no dia 23, o segundo pior dia para se fazer isso - só não ganha do desespero do 24, onde você entra no clima "matar ou morrer" do comércio antes de ir para a ceia.

Um breve relato da minha saga:

Fui a uma loja de chocolates comprar um presente para meu pai. A mocinha que nos atendeu estava tão estressada, tadinha! Havia caixas e caixas de trufas atrás dela, e eu acho que ficar repetindo aqueles sabores mil vezes ao dia, para cada cliente que entrava, deve tê-la esgotado. Realmente, ficar recitando aquele poema doce de “maracujá, limão, coco, meio amargo, natural e rum” o dia todo deve ser um porre!
Quando perguntei se não havia um saquinho de presente para as trufas, ela respondeu, seca:
- Depois.
Eu deveria ter me aborrecido com a falta de tato, mas acabei ficando com pena dela. Acho que ela precisava mesmo era de um abraço.

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Minha mãe queria uma sandália de presente. Na mesma loja, eu vi um sapatênis (com trocadilho, por favor!) que gostei, e pedimos à Vendedora que trouxesse ambos no 36 para experimentarmos.
Ela demorou tanto no estoque que fiquei imaginando que os sapatos deveriam estar armazenados em um mundo mágico, feito a toca do coelho da Alice. Eu realmente estava esperando que o Chapeleiro Maluco descesse de lá com os sapatos na cartola. Fiquei muito frustrada quando ela apareceu no alto da escada... Para piorar, veio com a sandália de mamãe com a cor trocada e sem meu sapatênis. Tanta espera para isso?

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Mamãe se encontrou com uma amiga na galeria, que a abraçou toda efusiva e, olhando para mim, perguntou:
- Sua filha?
A piada era boa DEMAIS para passar em branco. Respondi:
- Minha mãe.
Ela ficou meio puta:
- Claro, é óbvio.
Para se vingar, ela mandou, na lata:
- Qual sua idade?
- 31.
- Você é casada?
Quase respondi, Não, sou lésbica. Mas obviamente me contive e apenas disse, Não, ainda não.
Já é a segunda vez que me perguntam isso essa semana, que falta de assunto! Pergunta se eu falo chinês, se eu dirijo ônibus, se sei consertar bicicletas, se entendo de Física Quântica, se já acabei minhas compras, sei lá, pergunta qualquer coisa! Mas me poupe desse assunto banal, faça-me o favor!

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Últimos presentes do dia, titia e vovó. Resolvi atacar de O Boticário. Tomei um susto ao entrar na loja: estava bombando de gente, tinha até porteiro controlando o fluxo para a mulherada entrar e sair organizadamente. Pensei com meus botões, Com esse movimento todo, vamos ter gente limpinha e cheirosa até o Carnaval!

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E hoje é dia de ceia em família, que maravilha! Dia de passar raiva caprichando no presente do amigo oculto e ganhando porcaria; de ouvir pela enésima vez sua avó te perguntar se você não tem um “namoradinho” e ter que dar as mesmas respostas bobas – “trabalho/falta de tempo/não achei o cara certo ainda” – de sempre; de morrer de raiva porque sua irmã pode levar o namorado para a ceia e você não; de agüentar seus primos casados falando de filhos enquanto você fica muda, entre outras coisas.
Mas se é para celebrar o aniversário de Cristo, então pratique o amor fraterno e tenha paciência com os parentes, é só por uma noite e passa rápido!

Feliz Natal, leitoras!

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Sobre o processo criativo

Em troca de tweets ontem, eu indaguei à querida Crisão, do blog Outro dia qualquer, como ela conseguia tanta inspiração para escrever quase que diariamente, enquanto eu estou aqui há quase três semanas sem conseguir texto algum. Ela me respondeu com um belo post falando sobre o assunto, aqui. E como meu comentário lá estava ficando grande demais, resolvi trazer a conversa para cá, dando prosseguimento a essa gostosa interação que os blogs permitem.

Crisão, enquanto você queria exorcizar seus demônios com o blog, eu queria apenas me divertir. Eu também nunca tive muita paciência para blogs com cara de diário, onde as pessoas ficavam falando somente da rotina delas e não discutiam idéias e fatos. Só que às vezes a gente acaba caindo nessa tentação de se abrir mais do que deveria e, para mim, isso trouxe algumas conseqüências que não me agradaram. Há alguns dias eu ouvi umas críticas pesadas ao meu blog, que me chatearam bastante, por dois motivos. Primeiro, porque vieram de alguém cuja opinião era importante para mim naquele momento, não foi uma crítica vazia de um desconhecido. E segundo, porque o blog é algo pelo qual tenho muito carinho, pois foi construído post a post em mais de dois anos, não gosto de vê-lo atacado... Esse incidente foi a raiz do bloqueio criativo, e por isso agora fico "travada" para escrever. Não que eu concorde com tudo o que foi dito, mas eu não fiquei indiferente àquela análise e isso me fez repensar a cara que o blog deveria ter.

Eu concordo com a sua teoria do continuum - é preciso uma linha de pensamento, ou o blog acaba se perdendo em posts que não fazem sentido entre si. Nosso foco aqui sempre foi o humor, mesmo quando discutimos alguns assuntos mais sérios. O problema é que esse fim de ano foi pesado demais para mim, e anda me faltando justamente isso, humor! Eu perdi a verve nessas últimas semanas e tem sido penoso recuperá-la. Sei que é só uma fase, já passei por isso antes, mas até que ela vá embora, vou ficar aqui nessa agonia de querer me expressar e não conseguir!

Quanto à obrigação da escrita, é impossível se livrar dela. Porque quando a gente se dispõe a ter um blog, faz um acordo tácito com os leitores, qual seja, o de escrever com alguma freqüência. Até porque todo blogueiro é, com maior ou menor intensidade, um pequeno narcisista que quer as pessoas lendo e pensando sobre o que ele diz. Não fosse isso, escreveria no Word quando bem entendesse e salvaria seus pensamentos no HD...

E sobre a meditação, já a tenho praticado em longas caminhadas de fim de tarde em belo cenário aqui na minha cidade. O ar fresco tem sido combustível para boas reflexões ultimamente.

Como a conversa está interessante, gostaria de convidar outras blogueiras a darem prosseguimento ao assunto. Como é o processo criativo de vocês? De onde vem a inspiração e o que as motiva a escrever?

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Ensopadinha

Dentista Aristocrático diz:
Mudando de assunto pra acalmar...
Que porra de chuva é essa??
Não agüento mais!!

Alice diz:
Tá um porre isso!
A obra hoje tava o caos!
PQP!
Só lama!

Dentista Aristocrático diz:
Imagino!!!

Alice diz:
Trabalhando eu nem ligo, mas qualquer coisa que envolva sair à rua vira uma aventura.

Dentista Aristocrático diz:
Hoje me ensopei três vezes...

Alice diz:
Pra mulher, ficar ensopada desse jeito não é o que se quer...
Uhauhauahauha

Dentista Aristocrático diz:
Rsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrs
Muito boa!!

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

A Sapa e a Formiga


Era uma vez uma Sapa cantante, que passava todo o verão em bares lésbicos, tocando violão e cantando MPB. Levava uma vida boêmia, tomando breja e seduzindo girinas. Não se preocupava com o futuro, pois queria viver intensamente aquela rotina de prazeres fugazes.

Chegava em casa com o sol nascendo, e ia dormir quando todos acordavam para trabalhar. Passava todos os dias em frente ao formigueiro, e era sempre repreendida pela Formiga:
- Você não se cansa dessa vida promíscua e vazia, sem compromisso com o futuro?
- Deixe de ser tão responsável, Formiga! Você trabalha demais e se diverte pouco! Você devia sair comigo qualquer noite dessas, dizia a Sapa em tom matreiro, dando uma piscadinha de olho para a Formiga (que não era de se jogar fora).

Então chegou o inverno e os bares se esvaziaram. Os bichos se recolheram em suas tocas e a vida noturna esfriou. E a Sapa não tinha mais onde cantar, e faltou dinheiro de cachê para comprar cerveja e o jantar.
Então a Sapa bateu à porta da Formiga:
- Formiga, me ajude! Estou sem bar para tocar e minha geladeira não tem mais breja!
- Você deveria ter ouvido meus conselhos, Sapa! A vida não é feita só de mulheres e bebida. Mas vou te ajudar, porque você é uma sapa talentosa.

A Formiga, influente que era, entrou em contato com gravadoras mil, e enviou vários demos da Sapa. Um produtor gostou do que ouviu, e achou que aquela voz macia merecia uma chance.
Logo a Sapa estourava na parada de sucessos e tinha música tocando na novela das 7. E a Formiga deixava seu trabalho no formigueiro para se dedicar à vida de empresária da Sapa.

As girinas voavam em cima da Sapa nos shows, mas ela não queria mais aqueles amores de uma noite só. Queria mesmo a Formiga, que a havia tirado da vida boêmia e valorizado seu talento.

Então a Sapa criou coragem e se declarou. E descobriu que a Formiga se apaixonara bem antes, quando a ouvira cantar docemente no estúdio. E as duas viveram felizes para sempre, morando em uma mansão enorme com uma geladeira duplex que nunca ficava sem cerveja.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

100.000!

Em janeiro de 2009, eu e Rainha de Copas fizemos alguns pedidos para o ano que estava nascendo e trazia em si aquelas esperanças que toda a humanidade renova a cada réveillon.

Daqueles pedidos, a namorada eu consegui, e com ela fiz muitas viagens felizes; mas o namoro acabou esse ano, e o desejo de novas viagens ao lado de outra namorada foi renovado.

O casamento gay ainda não foi reconhecido oficialmente e não podemos matar a CNBB de raiva, no entanto alguns passos foram dados nessa longa caminhada. A Receita Federal já nos reconhece como dependentes, e se o Fisco consegue nos enxergar, outros órgãos e entidades um dia também o farão.

Demonstrar carinho em público ainda não é tão tranqüilo quanto eu gostaria, mas acho que isso também virá aos poucos. Em algumas cidades mais liberais já é possível dar um selinho sem ser apedrejada feito uma iraniana adúltera.

Por fim, o último desejo feito na época: que o blog fosse um sucesso e atingisse 100.000 acessos.

O que era um sonho megalomaníaco, hoje eu tenho prazer de anunciar que conseguimos: batemos hoje a marca dos 100.000!

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Estatísticas de acesso Power Phlogger:
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http://aliceinlesboland.blogspot.com/
Número de visitas desde 27/04/2008: 100000


É um número tão grandioso para mim, que fica até difícil imaginar 100.000 pessoas lendo o que escrevemos ao longo desses 2 anos e 7 meses de blog.

Quando começamos, eu e Rainha de Copas queríamos apenas nos divertir, e ocasionalmente fazer algumas pessoas rirem conosco. Não tínhamos a menor pretensão de conquistar seguidores (o Blogger me informa que são 243 hoje!).

Depois de 216 posts (quanta bobagem foi dita, meu Deus!), posso dizer que o objetivo foi cumprido: nós nos divertimos até hoje com o que escrevemos e tem sido um grande prazer essa troca com as leitoras e os blogs amigos.

Às vezes eu fico um pouco ausente por motivos de trabalho ou pessoais, e sinto uma culpa enorme quando deixo o blog abandonado. Sabe aquele remorso de mãe que trabalha demais e não dá atenção ao filho? Então, é esse o sentimento. Mas aí eu me esforço para voltar, porque sei que pelo menos essas 243 pessoas gostam do que falamos por aqui, e não posso decepcioná-las. (E eu também, confesso, me divirto um bocado com os nossos textos: eu rio sozinha várias vezes quando reviso alguns posts antes de publicá-los. Só clico no botãozinho laranja "Publicar postagem" se eu pensar, "Isso está muito engraçado!" ou "Este texto ficou bom.": sou a maior crítica de mim mesma).

Então, leitoras e blogueiras amigas, dedicamos este post dos 100.000 a vocês, que nos lêem, comentam, riem, criticam, sugerem; participam, enfim, desse nosso espaço. Obrigada por nos acompanharem, vocês são a maior razão da nossa dedicação.



Um brinde a vocês!

Beijos de Lesboland,

Alice

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Sobre adesivos e carros


Outro dia vi um adesivo engraçado em um carro e até comentei sobre o assunto no Twitter.
Estava escrito: Rastreado pelos olhos de Jeová, e ocupava todo o vidro traseiro.
Tinha um olho junto, para ilustrar a coisa e incrementar a breguice. Algo assim:


O mais divertido é imaginar Jeová, uma entidade puramente abstrata, com olhos. E iguais aos nossos! Aliás, quantos seriam? Acho que ele precisaria de muitos, são mais de 1 bilhão de carros em circulação no planeta para tomar conta. Tadinho, ele deve ficar até estrábico acompanhando tanta gente ao volante! O motorista só tem que torcer para Jeová não ficar míope, senão o fiel se perde na primeira encruzilhada e nunca mais volta para casa...

Outro que eu vi e também morri de rir: Rastreado por Jesus
Quando eu li, imaginei o Cristo lá no céu, segurando um GPS divino, com tela de 42.000 polegadas, tomando conta do trânsito do Brasil inteiro, para ver aonde o fanático vai se meter. Se ele se atrever a ir a algum lugar pecaminoso, tipo casa da amante, boate de strip-tease ou sauna gay, o GPS fala “Recalculando a rota” e o encaminha para o culto na igreja mais próxima.

Acho graça também dos adesivos incoerentes. Por exemplo, um carro tunado, de vidros pretos e rodas rebaixadas, tocando aquele funk proibidão que só fala em sacanagem, com um adesivo de... Rosário de Nossa Senhora!

Sou tigrão e dou um créu,
mas também rezo uma Ave Maria!

Ou aquele Ford Focus prata lindo, brilhando de novo, com motorista de terno e gravata, mas com um adesivo de... Cowboys!

Saí da roça, ganhei dinheiro,
mas minha alma ainda é rural!

Eu não uso adesivos no carro há muito tempo, e por um motivo bem prosaico: o automóvel fica fácil de ser identificado e associado a você. E para quem mora em uma cidade que não é tão grande assim, acaba sendo difícil inventar uma desculpa quando alguém vê seu veículo estacionado em frente a uma boate gay ou quando você dá aquele beijo de cinema na mocinha sentada no banco do carona.
- Eu? Beijando mulher no meu carro? Tá doido???
- Era você sim! Tinha aquele adesivo da sapa verde saltitante no porta-malas!
- ...

E você, tem algum adesivo no carro? O que ele diz sobre a sua personalidade?

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Cara ou coroa?

Rainha de Copas diz:
Amiga, tô fudida!

Alice diz:
Por quê?

Rainha de Copas diz:
As duas querem me ver hoje!

Alice diz:
HAHAAHAHAHAHAHAH

Rainha de Copas diz:
Alanis tá no bar, num niver, quer me ver.
E Osklen quer que eu vá pra casa dela.

Alice diz:
Ai, como eu queria ter esse dilema hoje!

Rainha de Copas diz:
Sendo que se eu sair e não passar lá, ela vai passar aqui pra ver se meu carro tá na garagem.
Assim que ela fez da outra vez.
Tô fudida na farofa!

Alice diz:
Uai, passa no bar, depois inventa que você tem prova amanhã cedo, deixa o carro na garagem e vai de táxi pra casa da Osklen.
Pronto!
:)

Rainha de Copas diz:
Ai, tô fudida, não rola.
Que merda, ficar a pé, caralho!
Hoje é dia!

Alice diz:
Quem tudo quer tudo perde...

Rainha de Copas diz:
Osklen já tá desconfiada porque sabe que peguei Alanis.
Não sabe que continuo.
Ela tá no meu pé!
Tenho dormido lá todo dia.
Ela me cuida, me mima, me dá atenção.
Uma namoradonaaaaaaaaaaaaa.
Alanis é aquilo: pais não sabem, mas ela tem liberdade.
É nova, não é independente, mas é a namoradinha perfeita pra desfilar pela city.
E agora????

Alice diz:
Cara ou coroa?

Rainha de Copas diz:
Coroa!
Sempre!
Até no joguinho.
Hahahahahaha

Alice diz:
Huaaaaaaaaaaaaaaa

Rainha de Copas diz:
Blog! Merece!

Alice diz:
Agora!

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Notas de viagem - BH - Out/10 - Parte III - Final

(Continuação)

Na fila, recebo ligação de Chapeleiro dizendo que os amigos dele não iriam mais. Fiquei naquela: entro sozinha? Vou para casa dormir? Eu já estava super frustrada de não ter saído para dançar no dia anterior, então resolvi arriscar: entraria sozinha e curtiria a noite.

Ouvi um rapaz atrás de mim reclamando com os amigos que o haviam deixado na mão. Pensei, É com esse que vou fazer amizade. Puxei papo e super colegamos enquanto esperávamos séculos para entrar. Ele também era de fora e havia acabado de ficar solteiro, então rolou uma afinidade instantânea.

A espera não valeu tanto assim: a Velvet estava mais para porão que para boate. Teto absurdamente baixo, local escuro, apertado e MUITO, MUITO cheio. Mas a música estava muito boa, então dançamos, rimos das figuras exóticas e nos divertimos um bocado. Na hora de ir embora, descobrimos que estávamos hospedados no mesmo prédio, e que o amigo dele era vizinho do meu - qual a probabilidade de isso acontecer? Pequena o bastante para eu achar engraçado e ficar feliz por ter alguém para dividir o táxi e me fazer companhia na volta.

Segunda

Chapeleiro batendo ponto no trabalho e eu livre, leve e solta na cidade grande. O que um bichinho do mato do interior faz na Capital quando tem chance? Vai bater perna no shopping, oras! Passei o dia no BH Shopping: comi crepe, comprei blusinhas na promoção na Zara, fiquei chocada com um relógio Mont Blanc de R$ 35.000,00 (o que ele faz para custar tão caro? Adivinha o futuro?) e tomei um café espresso delicioso antes de voltar para casa leve e merecidamente distraída.

À noite, Chapeleiro e seus amigos resolveram, de pura zoação, irem a uma boate gay mega trash, a Estação 2000. Fomos recebidos por uma drag toda montada e, ao entrarmos, o choque: os sofás tinham almofadas DOURADAS. Juro que quis bater uma foto, mas fiquei acanhada por ser a ÚNICA mulher do lugar.

Fomos para o segundo andar, onde funcionava a pista de dança. Tive uma surpresa: para quem está acostumada a ver só gay malhado, cheiroso, barbeado e vestido em roupas de grife, ver um universo de gays coroas, baixinhos, barrigudinhos, vestidos de roupa de liquidação foi muito estranho, confesso! A gente acaba criando um estereótipo do que é o público gay e se esquece que há todo um universo de pessoas diferentes em outros lugares.

Mas o melhor da noite mesmo foi o show de drags. Teve imitação do filme Mudança de Hábito, com um travesti negão enooorme de peruca armada vestido de freira; teve esquete de patroa x empregada; teve cena de duas travas brigando para ver quem tinha mais dinheiro... E a cereja do bolo: a imitação do Show da Xuxa. A bicha cantando as músicas, de chuquinha e roupa colorida, e falando todas as bobagens que a Xuxa jamais falaria no programa, ainda que ele passasse às três da manhã. Passamos MAL de tanto rir, especialmente quando tocou a música "Quem quer pão" e a trava mordia pães de sal e os arremessava na platéia. Hilário.

Terça

Voltei para casa mais leve depois de um fim de semana muito agradável longe de casa e dos problemas. Estar com os amigos queridos é sempre revigorante.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Notas de viagem - BH - Out/10 - Parte II


(Continuação)

Já que a The L estava fechada, fomos beber algo no “2010”, um bar à meia-luz aconchegante, de música suave e público selecionado.

Chapeleiro me disse que todo ano o bar troca de nome, adotando o número do ano. Achei graça e pensei que ele estivesse me pregando uma peça, tipo aquela coisa esperto-da-Capital-engana-a-bobinha-do-interior. Duvidei, porque achei absurdo, mas ele não se rendeu – perguntou à Garçonete na minha frente se não era verdade. Ela confirmou e disse que no réveillon eles sempre faziam uma festa de reinauguração para isso. Achei genial.

Percebi que havia um casal gay sentado na mesa atrás de meu amigo. Quando Chapeleiro se levantou, eu observei um dos rapazes e o achei absurdamente parecido com um ex-peguete de um amigo meu. Fiquei pensando, seria ele mesmo? A dúvida foi desfeita rapidamente: ele usava a mesma pulseira Armani Exchange ENORME e absurdamente brega de quando eu o conheci. Bingoooooooo!


Domingo


Fomos ao Café com Letras, um misto de restaurante, bar, café e livraria. Local gay friendly, ponto de encontro obrigatório antes da balada na Josefine, boate ao lado. Comi um sanduíche de filé com tomate confit di-vi-no!

Havia um casal muito fofo ao nosso lado: ela, mulata, cabelo cacheado, corpo escultural; ele, louro, olhos claros, pele muito branca e um nítido sotaque de estrangeiro. Ambos jovens, lindos e muitíssimo bem vestidos, chiques ao máximo bebendo vinho tinto. Comentei com Chapeleiro:
- Acho o máximo esses casais improváveis, esse contraste. O amor torna a humanidade muito mais interessante com essas misturas.

O mais engraçado foi quando os pedidos chegaram: uma salada e um sanduíche enooorme com fritas. Salada para ela e sanduíche para ele, certo? Bem, o Garçom também pensou assim, mas era o inverso: a comilona era ela! Achamos muita graça do fato.

Era cedo e eu não queria ir para casa, mas meu amigo trabalharia no dia seguinte. Então ele me deixou na fila da boate para esperar pelos amigos dele, que me fariam companhia lá dentro. Na fila...

(Continua)

sábado, 16 de outubro de 2010

Notas de viagem - BH - Out/10 - Parte I

Fui para Belo Horizonte no feriadão curtir as delícias da capital e a boa companhia do amigo Chapeleiro Louco.

Sábado

Peguei ônibus cedo, com a intenção de chegar em BH na hora do almoço e aproveitar o dia ensolarado que me esperava. Na viagem, fui premiada: uma mãe com DOIS filhos passando mal – um comigo e outro com ela no banco ao lado. Ela disse que tinha esquecido de dar remédio ao meninos antes de sair. Que mãe desnaturada é essa que deixa os filhos vomitando por 4h30 porque é "esquecida"?

Almoçamos em um restaurante gostosinho e voltamos para casa para descansar. Enquanto meu amigo dormia, fiquei navegando na net e resolvi dar uma caprichada no meu perfil do Facebook, que é a nova vitrine de quem quer parecer moderno e descolado ultimamente.

Curiosa que sou, quis ver se a Falecida 1 estava por lá. Bingo! Achei o perfil e vi que tinha 3 fotos dela. Contei o fato para o Chapeleiro depois:
- No facebook da Falecida 1 tem só três fotos - todas de rosto e de close. Sabe o que isso significa, né?
- Não, o quê?
- Que ela engordou HORRORES e não quer mostrar isso. Só a internet para nos proporcionar esses prazeres sórdidos...

À noite, ao sairmos, Chapeleiro me vem com a tirada irônica:
- Sabia que aqui em BH tem um bairro chamado Gorduras?
Morri de rir.
- Sério? Que engraçado!
Ele, muito sacana, e aproveitando o gancho da tarde:
- A Falecida 1 deve ser de lá.
Demos gargalhadas no ponto de ônibus.

Comemos bruschettas no café do cinema e assistimos a um filme francês delicioso chamado "O Pequeno Nicolau". Há muito tempo eu não ria tanto, de chorar - literalmente - em uma sala de projeção. Filme leve, inteligente e MUITO divertido, recomendo.

Adoro bruschettas (com trocadilho, por favor!)

Eu quis esticar na The L, uma boate sapa famosa de lá, mas, para minha tristeza, estava fechada para reformas.

(Continua)

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Qual a sua sorte?


Em viagem a trabalho de carro essa semana, passamos, eu e uma colega da empresa, em frente a um acampamento de ciganos. Eu achei graça da cena – aquele monte de barracas com roupas
coloridas estendidas nos varais improvisados – e disse que não via aquilo há anos. Ela me contou uma história muito divertida de quando era criança e estava indo à padaria, mas uma cigana a interpelou no meio do caminho e fez previsões catastróficas ao ler a mão dela. Ela me disse que, muito assustada com as tragédias previstas, acabou entregando o dinheiro do pão para que o “feitiço” fosse desfeito. Sorte que a mãe dela riu da história quando ela chegou em casa de mãos vazias – mas com o futuro salvo.

Eu sou uma pessoa cética, que nunca foi a Cartomantes, Astrólogas e Quiromantes, porque eu não acredito que alguém tenha o poder de prever o futuro ou alterar o destino de outras pessoas. Acho muita graça quando leio panfletos oferecendo a clássica: “trago a pessoa amada em 3 dias”. Três é a média, né? A pessoa naquela urgência de amor não tem tempo de ficar esperando muito mesmo...

Ah, seria tão fácil se uma bruxaria pudesse resolver nossos problemas! Chefe mala te perturbando? Faça um bonequinho vodu, espete nele uns 5 alfinetes e pronto! Manso feito um gatinho! Tá sobrando dia e faltando dinheiro no fim do mês? Coloque 5 moedas em um pires, acenda uma vela verde e pronto! Salário triplicado no próximo contracheque. Aquela gata linda do seu trabalho não te dá mole, apesar das insistentes investidas? Roube uma caneta mordida do porta-lápis dela, espete em uma calcinha usada ainda quente do corpo e enterre no jardim – paixão garantida em uma semana!

Acho que essas mandingas fazem tanto sucesso porque muitas vezes queremos uma solução fácil para nossos problemas, ao invés de criarmos coragem para enfrentá-los – ou nos conformarmos que alguns deles simplesmente não têm solução. Analisar situações, tomar decisões e assumir as responsabilidades pelas conseqüências é mesmo tarefa difícil. Mais cômodo entregar o destino nas mãos de outra pessoa e deixar que ela leve a culpa caso algo dê errado...

Leitoras, vocês acreditam em previsões? Consultam Tarólogas e afins? E qual tem sido o resultado para vocês?