Pior do que o verão é saber que ele está chegando ao som de "vem chegando o verãoooooo, um calor no coooooração...". Coisa mais batida! É exatamente o mesmo que acontece com o Natal e o "Então é Natal..." entoado pela cantora Simone, como bem resmungou a Alice.
Peço desculpas aos leitores que amam essa estação, mas preciso desabafar sobre essa minha antipatia. O caos começa geralmente em agosto. É ba-ta-ta em encontros com amigos, escutar: "não quero beber/comer pois estou de dieta, entrei ontem na academia e de hoje em diante, estou no projeto verão 2009". Que ódioooooooooooooo! Isso quando a sua melhor amiga não troca o nosso encontro semanal pela aula de spinning com o "professor gato". Isso só me faz detestar mais o verão e academias. Por que ninguém se prepara tanto pro outono?
Tá. Aí chega o bendito 21 de dezembro... é um tal de ouvir: "Vamos partir pra Búzios?" ou "Lek, tem Asa na praia". Tem também: "Vou fazer um churras na piscina" e "Quero muita skol e Absolut". Passo mal! Verão além de suor e sal precisa significar bebedeira, micareta, pegação, marra e gírias?
Minha namorada, ao contrário, é um peixe até no signo. Dias desses, na cidade dela, fez um calor senegalês e não havendo alternativa - pra ela, pois pra mim, o chuveiro era o bastante - pegamos o rumo do mar. Fui de short, camiseta, chapéu e óculos gigantes e assim fiquei sob 3 guarda-sóis que já estavam criteriosamente dispostos por alguma boa alma que também não devia ser fã de sol.
Para garantir a minha permanência por algumas poucas horas, levei o "1808" que narra a fuga da família real portuguesa pro Brasil. Claro que meu bebê não ficou muito satisfeito com o tipo de companhia, afinal, a menina é uma mistura do Phelps com alguma atleta do nado sincronizado; e para realizar suas peripécias, conta com a colaboração de alguém com ela... na água. Muito desapontada, lá foi a sereia para o mar... Interrompi a minha leitura e fiquei imaginando o tanto de coragem que tem aqueles que se prestam a banhar-se naquela água cor de Nescau. Duvido que exista outra população com mais anticorpos do que o brasileiro!
Com tamanho calor - devia ter um sol pra cada um - ficou difícil manter o olho nela. Era tanta gente disputando uma onda... Cada um no seu metro quadrado. Uma tristeza! Atenta ao meu redor, me distraía com os personagens ao lado. Sempre tem uma tiazona que leva todas as crianças da casa, um vendedor engraçadinho (que grita: "gostosaaaaa... empada!"), um cara feio com corpo-bombado-que-se-acha, um casal de botar inveja na Cicarelli e claro, uma família que resolve almoçar fora bem ali na areia.
Tô longe de ser fresca e mais ainda de ser uma Glorinha Kalil, mas praia é, pra mim, um programa pior que o de índio; é broxante! Suor escorrendo, a pessoa fica lustrada, salgada, com o cabelo meloso, embaraçado. Não acho bonito ver minha mulher tomando um caldo e ajeitando o biquíni depois de pagar peitinho ou na areia pegando corzinha, que deixa aquela marquinha tipo suspensório. Acho deselegante o jeito com que tomam a chuveirada, puxando as alças pra frente e pros lados, tirando areia dos "fundos"...
Por essas e outras, o verão é, de longe, a estação que mais odeio no ano e, por causa dele, vou sofrer nos próximos três meses, agüentando o insuportável trio samba-suor-e-cerveja e contando as horas para esse martírio acabar. Ainda bem que existem os livros!