quarta-feira, 16 de março de 2011

Segunda Carta a uma Presidente

Prezada Dilma,

Como anda a vida aí na Capital Federal? Parece que você já está bem à vontade no exercício do cargo. Li hoje no Globo essa notinha:


E eu achando que você ia demorar a dar mais sinais de sapatonice, hein? Blazer e tênis? ArraZou no figurino, querida! Muito moderno, muito lesbian chic! Numa cerimônia oficial ainda por cima, que ousada! Isso mesmo, abaixo a ditadura do vestido!

Só não consegui descobrir, pela imprensa, qual foi o tênis escolhido. Mas olha, se eu souber que foi All Star, juro que fundo um fã clube para você! Vai se chamar “Dilma on sneakers” – assim, em inglês, bem cool, bem internacional, para mostrar ao mundo a Presidente moderna que o Brasil tem.

Ansiosa para vê-la usando uma camiseta da Hering ou um cinto de rebite, despeço-me.


Beijos patriotas de Lesboland,

Alice

sábado, 12 de março de 2011

Pendrive


Rainha de Copas diz:
Amiga, olha que fodaaaaaaaaaa!
http://www.designontherocks.xpg.com.br/designs-diferentes-de-usbs/?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed%3A+DesignOnTheRocks+%28DESIGN+on+the+ROCKS%29
A sua caraaaaa!

Alice diz:
Muito!
Queria o de pilha.

Rainha de Copas diz:
Rolha também é sua cara.

Alice diz:
Demais, pensei nisso.

Rainha de Copas diz:
Queria seringa.

Alice diz:
Ahahhaahahahah
Vou te dar um em forma de pinto.
Não tem o homem e ainda armazena dados.

Rainha de Copas diz:
Uhahuahuahuhuhahauauhaa
Só se ainda vibrasse.

Alice diz:
AHAHAHAHAHAHAHAHAH






Rainha de Copas diz:
E servisse de lanterna.

Alice diz:
Pinto que acende? Isso ia ser bizarro.

Rainha de Copas diz:
Pra fazer discotcheca!

Alice diz:
HAHAHAAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAH
Isso TEM que ir pro blog.

Rainha de Copas diz:
Uhauhahuauhhuauhhuauhaha
TEM!

terça-feira, 8 de março de 2011

Dia Internacional da Mulher

Só uma mulher do brejo sabe o que é...

Ouvir da manicure, pela enésima vez, que homem adora mulher com unhas grandes e ter que sorrir e insistir que as prefere curtas.

Conseguir guardar de memória quem do seu grupo de amigas ficou com quem, namorou quem, chifrou quem e terminou com quem, por causa daquele rebuceteio infinito comum no meio.

Praticar a incrível arte de ir para a noite sem bolsa, levando apenas documento, dinheiro e celular nos bolsos.

Ter peito para dizer para o(a) Ginecologista que não faz sexo com homens e ainda fingir naturalidade durante o sempre incômodo exame ginecológico.

Assistir, pela enésima vez na TV a cabo, o filme Imagine Me and You e ainda assim chorar quando Rachel e Luce se beijam no final.

Usar uma regata preta da Hering, uma calça jeans e um tênis All Star para expressar sua sexualidade – e ainda conseguir ficar gata usando tão poucos recursos.

Assistir a um jogo de qualquer esporte que você não goste ou não entenda só pra fazer companhia à namorada.

Comer uma caixa inteira de bombons porque brigou, pela sexta vez essa semana, com a namorada, passar mal, e ainda por cima ficar arrasada porque saiu do regime.

Levantar o dedo médio com muita classe quando escutar que mulher no volante é perigo constante, e pensar consigo mesma que, como toda sapa que se preze, dirige melhor que aquele marmanjo idiota.

Sentir-se pronta para conquistar o mundo, quando está usando um All Star novo.

Achar que o seu relacionamento acabou, e depois descobrir que era tudo tensão pré-menstrual.

Ficar realmente feliz só porque ela mandou um SMS fofo...

Ficar realmente infeliz, só porque não tem uma camisa pólo legal para sair.

Brigar, só pra fazer as pazes depois com muito hot lesbian sex.

Fazer manha e dizer não, para ela insistir bastante, e aí ter que dizer sim!

Ler o horóscopo – dela e o seu – todos os dias.

Saber as características de todos os signos do zodíaco de cabeça só para prever como será o próximo namoro quando conhecer uma menina interessante.

Sorrir gentilmente para a namorada durante um jantar romântico enquanto uma cólica louca te rasga como se fosse uma espada ninja...


Feliz Dia Internacional da Mulher, leitoras!


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(Inspiração do post: um antigo e-mail da internet falando sobre as mulheres, adaptado)

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Atrás das cortinas


Ei, você! É, você mesmo, sua safadinha! Você que chamou sua peguete para dar uns amassos no provador da loja de roupas e foi pega no flagra com a mão dentro da blusa dela.
- Estava vendo se o sutiã tem sustentação!


Olha que vexame! Queimou o filme do brejo inteiro! Agora ninguém mais pode dar uns pegas na cabine usando a velha desculpa que vai ajudar a amiga a ver se a roupa caiu bem. Coisa feia!

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Eu não resisti a fotografar esse aviso. Fiquei imaginando que, se a loja se deu ao trabalho de colocá-lo, certamente já houve alguma coisa suspeita que tenha motivado o gesto...

E vocês, confessem: já aprontaram alguma em provadores de roupa?

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Gaydar

Alice diz:
http://super.abril.com.br/blogs/cienciamaluca/da-para-dizer-se-uma-mulher-e-lesbica-so-de-olhar-para-o-rosto-dela/

Lisarowe diz:
@@
Credo!
Se funcionasse assim eu tava feita.

Alice diz:
Queria um gaydar 100% preciso.
Só isso.
Mais nada.

Lisarowe diz:
Pois é, eu também.
Mas eu queria algo mais: queria, além do gaydar perfeito, saber o que falar quando apitar rs.

Alice diz:
AHAHAHAHAHAHAHAHAHAAHAH
Muito boa!

Lisarowe diz:
Né? Porque senão eu vou virar só radar pras amigas rs.
- Ela é?
- É...
- Opa, tô indo lá!

Alice diz:
- Vai fundo, amiga! Dou maior apoio!

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Carta a uma Presidente

Prezada Dilma,


Vou dispensar a formalidade de chamá-la de vossa excelência, porque acho que a situação pede tratamento mais coloquial.

Sempre desconfiei desse seu jeito butch de ser. A voz grossa, a postura autoritária e a cara de brava denunciavam sua alma sapa. Eu entendo que o rigor do cargo a impeça de aparecer no Palácio do Planalto de braços dados com uma primeira-dama – além do escândalo, seria uma trabalheira para o Cerimonial do Itamaraty, né? “Sra. e Sra. Rousseff”, já pensou? Muita modernidade, acho que o povão ainda não está preparado para isso...

Mas fiquei feliz com seu gesto de boa vontade com o brejo hoje: receber a Marta, ícone-mor da sapatonice-esportiva, e dizer que vai apoiar o futebol feminino fez você ganhar muitos pontos comigo! Estou ansiosa para vê-la usando essa camisa do Santos e jogando pelada (sem trocadilho, sua safadinha!) na Granja do Torto.

Arrume um tempinho na sua agenda de presidente e prestigie as meninas no mundial, em junho. Elas vão adorar recebê-la por lá – Martão e Dilmão fariam um belo ataque, hein?

Só fico curiosa em saber qual será o próximo passo para mostrar ao país do que você gosta: showzinho particular com a Ana Carolina no Palácio do Alvorada? Ou você prefere a nova geração e vai chamar o bofinho-revelação da sapa-music, Maria Gadú? Não vejo a hora de saber a resposta!

Ansiosa por notícias da Capital Federal, despeço-me.


Beijos patriotas de Lesboland,


Alice


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Postscriptum:
1) Sugestão de pauta e dica da matéria no G1 by @marinexhoff.
2) Dilmistas, por favor, tenham senso de humor e não fiquem bravos com a brincadeira, ok? Não é política, é só deboche...

sábado, 15 de janeiro de 2011

Caminhando - Parte II (Final)

(Continuação)

A gordinha que já desistiu da dieta. Essa fica andando devagarzinho, só pra falar que faz caminhada e aliviar o peso da consciência. Devidamente uniformizada, tênis de corrida no pé, MP3 player funcionando a todo vapor, está na verdade admirando a paisagem e ouvindo música, porque não queima uma caloria sequer com seu aparato.

O homem da meia preta, um clássico que também costuma aparecer nas academias. É o sujeito que sai do trabalho e leva o tênis para usar no exercício, mas nunca se lembra de colocar a meia branca esportiva na bolsa. Costuma usar também a mesma blusa com a qual foi trabalhar, o que gera um Frankeinstein fashion, de tênis e meia de seda, bermuda e camisa social.

O empolgado, que fica balançando os braços em alongamentos malucos enquanto anda, como se isso aumentasse o gasto energético. Mexe tudo o que pode, e às vezes parece que está tentando levantar vôo. Alguns quase conseguem, de tanto que batem as asas. Eu juro.

O metido a atleta, que quer dar uma de Rocky O Lutador subindo a escadaria do Museu da Filadélfia. Anda todo equipado com medidor de passos, cronômetro e reloginho para medir batimentos cardíacos. Na primeira volta, corre feito um velocista dos 100 m rasos querendo bater o recorde mundial; na segunda, já está se arrastando, suado e vermelho, rendido ao coração acelerado e aos pulmões que ardem. É forte candidato a uma síncope – deveria ter uma ambulância por perto quando esse tipo estivesse na pista.

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Escrito com ajuda especialíssima de Rainha de Copas

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Caminhando - Parte I

Tenho feito neste verão – sempre que São Pedro deixa – caminhadas no fim do dia no campus da universidade. E tenho observado uns tipos bem engraçados por lá...

O workaholic, que não se desconecta nem quando está de short e regata. O sujeito corre e fala ao celular: o aparelho fica suado como o dono e a conversa sai toda truncada, conforme o telefone sobe e desce nas passadas e o fôlego permite ou não o diálogo:
- Compra tudo, porque... Arf... barato. E vê se encomenda... Arf arf... porque esse lote... Arf... Financiado não dá porque... Arf arf arf...

O casal apaixonado, que não se desgruda: anda o tempo todo de mãos dadas, ainda que o passo dele seja duas vezes mais rápido que o dela. Geralmente estão mais passeando que fazendo caminhada, porque é impossível andar em ritmo acelerado e sincronizar mãozinhas. Sempre que vejo um desses, me pergunto onde termina a paixão e onde começa a posse. Nunca sei.

O dono de cachorro, que quer aproveitar a caminhada para fazer o bicho se exercitar também. Morro de pena dos cães menores, como poodles, que precisam acompanhar o passo de quem está correndo. O animalzinho quase enfarta depois de duas voltas. Pior são os cães que deixam “presentinhos” no caminho para você pisar, feito minas terrestres malcheirosas, que explodem em sujeira sob seu pé quando você dá uma passada mais apressada e desatenta.

A pistoleira-periguete, que está sempre maquiada e com o cabelo chapeado preso na buchinha. Usa calça estampada de oncinha, muito justa, com meia grossa por cima da legging cobrindo toda a canela; o top sempre tem um decote provocante. O tipo não possui idade certa: varia dos 20 aos 50 anos e não tem como objetivo se exercitar, mas observar os sarados (sejam eles coroas ou não) e tentar seduzir algum deles com um flerte atlético. Seu negócio não é malhação, é pegação.

(Continua...)

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Escrito com ajuda especialíssima de Rainha de Copas

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Diga não

A União tem esses sachês de açúcar com mensagens edificantes. Achei criativo: você adoça o café e pensa na vida. Hoje fui sorteada com esse aqui:


Juro que, inicialmente, eu li: Diga mais não. Depois que associei a imagem da mocinha comendo o bolo de chocolate com o texto que vi que era “menos não”.

Eu não concordo com a embalagem. Eu proponho dizer “mais não” como uma das formas de se alcançar a felicidade.

Dizer não para aquele seu parente cara-de-pau quando ele te pedir mais um favor absurdo, sem nunca te oferecer sequer o reconhecimento pela ajuda.

Dizer não para aquela happy hour com colegas venenosos do trabalho, que certamente se transformaria em uma sad hour depois de meia dúzia de cervejas, e ir para casa assistir aquele programa legal na TV a cabo que você tanto gosta.

Dizer não para o sexo, ainda que seu corpo arda de desejo, quando o que seu coração mais quer naquele momento sejam apenas aconchego e carinho.

Dizer não para aquele almoço em família onde você vai ouvir piadas machistas e homofóbicas dos seus parentes e sair de lá com a comida e a indignação engasgadas.

Dizer não para drinques & balada com amigos naquele sábado em que o seu corpo pede chá & edredom no aconchego de sua casa.

Dizer não para as demandas daquele seu amigo vampiro emocional, que te suga as energias, o ânimo, o dinheiro, a presença e tudo o mais que ele encontra pela frente, e jamais devolve o que levou.

Dizer não quando sua namorada te obriga a ir novamente àquele restaurante moderno e caro, com comida esquisita que você odeia, quando sua vontade é apenas devorar um cachorro-quente com muito molho na barraquinha da esquina.

Dizer não para a Vendedora quando ela insiste que aquela blusa está “ótima” em você, quando o espelho e o seu bom senso mostram justamente o contrário.

Dizer não, mesmo que ainda gostando dela, para aquela ex mau caráter que te procura cheia de arrependimentos depois de ter partido o seu coração, prometendo que tudo dessa vez será diferente.


E vocês, para o que andam precisando dizer não?

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Aposta de Ano Novo


Se você tivesse apostado, no primeiro dia deste ano, que saberia tudo que aconteceria nesses 12 meses e como estaria sua vida neste final de dezembro, certamente teria perdido. Por mais promessas de Ano Novo que você tenha feito e, efetivamente, cumprido, houve muito mais de inesperado em sua vida que você poderia ter considerado no dia da aposta. Foram 365 dias repletos de 24h de oportunidades surgindo em seu caminho. Cada decisão tomada frente a cada uma destas oportunidades alterou um pouco o seu destino e fez com que aquela aposta ficasse cada vez mais difícil de ser vencida...

Não adianta tentar trapacear na aposta e procurar uma Vidente para que ela leia sua mão, a bola de cristal, os búzios ou as cartas e te dê essa resposta. Se nem você, que (espera-se!) se conhece tão bem, foi capaz de adivinhar o que se passou, que dirá uma estranha olhando para uma bola transparente ou jogando cartões de papel colorido na mesa. Esses objetos jamais darão conta de sua vida com toda a complexidade que ela possui.

Só você é capaz de saber se a dedicação ao seu trabalho foi suficiente este ano ou se você não chegou nem perto de cumprir as metas a que havia se proposto. Se você procurou aprender coisas diferentes ou ficou esperando um aumento sem merecê-lo. Se você se mostrou ser capaz de assumir novas responsabilidades ou ficou se queixando da empresa, do chefe, do país. Se você surpreendeu a sua equipe por fazer o inesperado ou se caiu na mesmice de sempre, batendo ponto todas as manhãs e tardes só para garantir o salário no fim do mês. Isso não pode ser lido nas linhas da sua mão...

Só você é capaz de saber se deu a atenção que a sua família necessitava ou se os abandonou quando mais precisavam de seu apoio. Se conseguiu passar por cima das desavenças naturais que surgem entre você e essas pessoas que você não escolheu estarem em sua vida ou deixou que essas diferenças o impedissem de cumprir o seu papel determinado pelos laços de sangue – que estarão sempre lá, enquanto ele circular na veia de todos. Neste ano, alguns parentes nasceram, outros morreram, com outros você perdeu o contato (ou retomou, quem sabe?), mas você teve novamente a certeza que, se precisar, esse laço será forte o bastante para uni-los quando necessário. Isso não pode ser lido na bola de cristal...

Só você é capaz de saber quantos amigos você permitiu que entrassem em sua vida ou quantos decidiu deixar para trás, por não contribuírem mais com seu crescimento. De calcular a quantos fez companhia nas celebrações ou de quais cuidou nas decepções trazidas pela vida. De ver quais foram capazes de te decepcionar de uma forma que você não foi capaz de acreditar, enquanto outros te demonstraram que são seus anjos aqui na Terra, com a função de te amparar e não te deixar vacilar perante a vida. Isso não pode ser lido nos búzios...

Só você é capaz de avaliar se entregou todo o seu amor a quem merecia recebê-lo ou negou carinho àquela pessoa que esperava tanto por ele. Se foi capaz de oferecer liberdade e independência em nome de um relacionamento saudável ou se sufocou o parceiro com ciúmes absurdos e proibições sem sentido. Se adoçou a relação com palavras ternas e atos gentis ou a tornou amarga com críticas duras e cobranças injustas. Se demonstrou, com palavras e atitudes, que aquela pessoa era especial para você e merecia fazer parte da sua vida ou teve receio de arriscar e ficou apenas esperando que o outro tivesse esta iniciativa. Isso não pode ser lido nas cartas de tarô...

As previsões não funcionam simplesmente porque elas não dão conta de antecipar todas as escolhas que você é capaz de fazer em 365 dias. E as superstições são falhas porque não é a cor da calcinha que você usa na virada, nem as sementes de romã que você guarda na carteira, muito menos os sete pulos nas ondas que você dá, que determinam o sucesso do seu ano. É o tempo que você passa estudando e aprendendo coisas novas, é a dedicação que você deposita em seu trabalho; é o suporte que você proporciona à sua família quando ela precisa de você; é a atenção que você dá aos seus amigos e a presença que você lhes oferece no dia-a-dia; é o amor que você cultiva e demonstra pela pessoa que você escolheu ter ao seu lado em um relacionamento. São tarefas em tempo integral - o ano todo, não apenas promessas de réveillon. O sucesso de 2011 está em suas mãos. Quer apostar?

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Na net, todas as gatas são pardas

Garota Interrompida diz:
Pior eu agora, fui pro Terra, encontrei uma “feminina de [cidade de Garota]”.
34.
Escrevendo tudo certinho.

Alice diz:
Isso apaixona, né?

Garota Interrompida diz:
Simmmmm!
Até que....
"Amigaaaaa, sou eu!"
Era uma amiga minha!
PQP!

Alice diz:
Huaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa

Garota Interrompida diz:
hauhauhauahauhauhaauhauhauhauahah
Imagina a nossa cara de kuh além de rir!

Alice diz:
HAHAHAHAAHAH
Eu imagino!

Garota Interrompida diz:
Agora estou falando com uma de 26, [cidade próxima]...

Alice diz:
Idade boa.
Escreve direitinho também?

Garota Interrompida diz:
Por enquanto, tudo certinho.
POR ENQUANTO!
Nunca se sabe quando vai sair um “seje”.

Alice diz:
Huaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa

Garota Interrompida diz:
Esses dias uma conseguiu escrever FASER e SEJE!
Doeu a alma demais!
huahauhauhauhaauhauhauahauhauh

Alice diz:
HAHAHAHAHAAHAHA

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Aventuras de compras de Natal

Por confusões de família, fui obrigada a comprar meus presentes de Natal no dia 23, o segundo pior dia para se fazer isso - só não ganha do desespero do 24, onde você entra no clima "matar ou morrer" do comércio antes de ir para a ceia.

Um breve relato da minha saga:

Fui a uma loja de chocolates comprar um presente para meu pai. A mocinha que nos atendeu estava tão estressada, tadinha! Havia caixas e caixas de trufas atrás dela, e eu acho que ficar repetindo aqueles sabores mil vezes ao dia, para cada cliente que entrava, deve tê-la esgotado. Realmente, ficar recitando aquele poema doce de “maracujá, limão, coco, meio amargo, natural e rum” o dia todo deve ser um porre!
Quando perguntei se não havia um saquinho de presente para as trufas, ela respondeu, seca:
- Depois.
Eu deveria ter me aborrecido com a falta de tato, mas acabei ficando com pena dela. Acho que ela precisava mesmo era de um abraço.

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Minha mãe queria uma sandália de presente. Na mesma loja, eu vi um sapatênis (com trocadilho, por favor!) que gostei, e pedimos à Vendedora que trouxesse ambos no 36 para experimentarmos.
Ela demorou tanto no estoque que fiquei imaginando que os sapatos deveriam estar armazenados em um mundo mágico, feito a toca do coelho da Alice. Eu realmente estava esperando que o Chapeleiro Maluco descesse de lá com os sapatos na cartola. Fiquei muito frustrada quando ela apareceu no alto da escada... Para piorar, veio com a sandália de mamãe com a cor trocada e sem meu sapatênis. Tanta espera para isso?

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Mamãe se encontrou com uma amiga na galeria, que a abraçou toda efusiva e, olhando para mim, perguntou:
- Sua filha?
A piada era boa DEMAIS para passar em branco. Respondi:
- Minha mãe.
Ela ficou meio puta:
- Claro, é óbvio.
Para se vingar, ela mandou, na lata:
- Qual sua idade?
- 31.
- Você é casada?
Quase respondi, Não, sou lésbica. Mas obviamente me contive e apenas disse, Não, ainda não.
Já é a segunda vez que me perguntam isso essa semana, que falta de assunto! Pergunta se eu falo chinês, se eu dirijo ônibus, se sei consertar bicicletas, se entendo de Física Quântica, se já acabei minhas compras, sei lá, pergunta qualquer coisa! Mas me poupe desse assunto banal, faça-me o favor!

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Últimos presentes do dia, titia e vovó. Resolvi atacar de O Boticário. Tomei um susto ao entrar na loja: estava bombando de gente, tinha até porteiro controlando o fluxo para a mulherada entrar e sair organizadamente. Pensei com meus botões, Com esse movimento todo, vamos ter gente limpinha e cheirosa até o Carnaval!

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E hoje é dia de ceia em família, que maravilha! Dia de passar raiva caprichando no presente do amigo oculto e ganhando porcaria; de ouvir pela enésima vez sua avó te perguntar se você não tem um “namoradinho” e ter que dar as mesmas respostas bobas – “trabalho/falta de tempo/não achei o cara certo ainda” – de sempre; de morrer de raiva porque sua irmã pode levar o namorado para a ceia e você não; de agüentar seus primos casados falando de filhos enquanto você fica muda, entre outras coisas.
Mas se é para celebrar o aniversário de Cristo, então pratique o amor fraterno e tenha paciência com os parentes, é só por uma noite e passa rápido!

Feliz Natal, leitoras!

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Sobre o processo criativo

Em troca de tweets ontem, eu indaguei à querida Crisão, do blog Outro dia qualquer, como ela conseguia tanta inspiração para escrever quase que diariamente, enquanto eu estou aqui há quase três semanas sem conseguir texto algum. Ela me respondeu com um belo post falando sobre o assunto, aqui. E como meu comentário lá estava ficando grande demais, resolvi trazer a conversa para cá, dando prosseguimento a essa gostosa interação que os blogs permitem.

Crisão, enquanto você queria exorcizar seus demônios com o blog, eu queria apenas me divertir. Eu também nunca tive muita paciência para blogs com cara de diário, onde as pessoas ficavam falando somente da rotina delas e não discutiam idéias e fatos. Só que às vezes a gente acaba caindo nessa tentação de se abrir mais do que deveria e, para mim, isso trouxe algumas conseqüências que não me agradaram. Há alguns dias eu ouvi umas críticas pesadas ao meu blog, que me chatearam bastante, por dois motivos. Primeiro, porque vieram de alguém cuja opinião era importante para mim naquele momento, não foi uma crítica vazia de um desconhecido. E segundo, porque o blog é algo pelo qual tenho muito carinho, pois foi construído post a post em mais de dois anos, não gosto de vê-lo atacado... Esse incidente foi a raiz do bloqueio criativo, e por isso agora fico "travada" para escrever. Não que eu concorde com tudo o que foi dito, mas eu não fiquei indiferente àquela análise e isso me fez repensar a cara que o blog deveria ter.

Eu concordo com a sua teoria do continuum - é preciso uma linha de pensamento, ou o blog acaba se perdendo em posts que não fazem sentido entre si. Nosso foco aqui sempre foi o humor, mesmo quando discutimos alguns assuntos mais sérios. O problema é que esse fim de ano foi pesado demais para mim, e anda me faltando justamente isso, humor! Eu perdi a verve nessas últimas semanas e tem sido penoso recuperá-la. Sei que é só uma fase, já passei por isso antes, mas até que ela vá embora, vou ficar aqui nessa agonia de querer me expressar e não conseguir!

Quanto à obrigação da escrita, é impossível se livrar dela. Porque quando a gente se dispõe a ter um blog, faz um acordo tácito com os leitores, qual seja, o de escrever com alguma freqüência. Até porque todo blogueiro é, com maior ou menor intensidade, um pequeno narcisista que quer as pessoas lendo e pensando sobre o que ele diz. Não fosse isso, escreveria no Word quando bem entendesse e salvaria seus pensamentos no HD...

E sobre a meditação, já a tenho praticado em longas caminhadas de fim de tarde em belo cenário aqui na minha cidade. O ar fresco tem sido combustível para boas reflexões ultimamente.

Como a conversa está interessante, gostaria de convidar outras blogueiras a darem prosseguimento ao assunto. Como é o processo criativo de vocês? De onde vem a inspiração e o que as motiva a escrever?

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Ensopadinha

Dentista Aristocrático diz:
Mudando de assunto pra acalmar...
Que porra de chuva é essa??
Não agüento mais!!

Alice diz:
Tá um porre isso!
A obra hoje tava o caos!
PQP!
Só lama!

Dentista Aristocrático diz:
Imagino!!!

Alice diz:
Trabalhando eu nem ligo, mas qualquer coisa que envolva sair à rua vira uma aventura.

Dentista Aristocrático diz:
Hoje me ensopei três vezes...

Alice diz:
Pra mulher, ficar ensopada desse jeito não é o que se quer...
Uhauhauahauha

Dentista Aristocrático diz:
Rsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrs
Muito boa!!

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

A Sapa e a Formiga


Era uma vez uma Sapa cantante, que passava todo o verão em bares lésbicos, tocando violão e cantando MPB. Levava uma vida boêmia, tomando breja e seduzindo girinas. Não se preocupava com o futuro, pois queria viver intensamente aquela rotina de prazeres fugazes.

Chegava em casa com o sol nascendo, e ia dormir quando todos acordavam para trabalhar. Passava todos os dias em frente ao formigueiro, e era sempre repreendida pela Formiga:
- Você não se cansa dessa vida promíscua e vazia, sem compromisso com o futuro?
- Deixe de ser tão responsável, Formiga! Você trabalha demais e se diverte pouco! Você devia sair comigo qualquer noite dessas, dizia a Sapa em tom matreiro, dando uma piscadinha de olho para a Formiga (que não era de se jogar fora).

Então chegou o inverno e os bares se esvaziaram. Os bichos se recolheram em suas tocas e a vida noturna esfriou. E a Sapa não tinha mais onde cantar, e faltou dinheiro de cachê para comprar cerveja e o jantar.
Então a Sapa bateu à porta da Formiga:
- Formiga, me ajude! Estou sem bar para tocar e minha geladeira não tem mais breja!
- Você deveria ter ouvido meus conselhos, Sapa! A vida não é feita só de mulheres e bebida. Mas vou te ajudar, porque você é uma sapa talentosa.

A Formiga, influente que era, entrou em contato com gravadoras mil, e enviou vários demos da Sapa. Um produtor gostou do que ouviu, e achou que aquela voz macia merecia uma chance.
Logo a Sapa estourava na parada de sucessos e tinha música tocando na novela das 7. E a Formiga deixava seu trabalho no formigueiro para se dedicar à vida de empresária da Sapa.

As girinas voavam em cima da Sapa nos shows, mas ela não queria mais aqueles amores de uma noite só. Queria mesmo a Formiga, que a havia tirado da vida boêmia e valorizado seu talento.

Então a Sapa criou coragem e se declarou. E descobriu que a Formiga se apaixonara bem antes, quando a ouvira cantar docemente no estúdio. E as duas viveram felizes para sempre, morando em uma mansão enorme com uma geladeira duplex que nunca ficava sem cerveja.